Grafos Eleição Reitoria UFPel – Twitter

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Post com update de dados e de mais uma conta no dia 29/04, 14:18.

Pensando aqui em como usar grafos para compreender percepções dos eleitores a respeito dos pleitos resolvi (eu e o grupo de pesquisa) testar algumas coisas. Para isso, tomei como caso as eleições para a reitoria da Universidade Federal de Pelotas, que tem seis chapas com candidatos de vários institutos e centros. Algumas observações iniciais:

Não trabalho na UFPel e não apoio (nem desapoio) nenhuma das chapas. Esse trabalho tem apenas o objetivo de tentar entender como as pessoas usam a mídia social para campanhas políticas e que tipo de dados podem ser observados.
Apesar de ter procurado todas as chapas no Twitter, só consegui encontrar cinco. Vi que alguns candidatos estão fazendo campanha em contas pessoais, mas essas contas não entraram na coleta de dados, apenas as contas “de campanha”, ou seja, que tinham o título da chapa. Chapa que eu não encontrei a conta: Chapa 5 – A UFPel pode mais: ciência, cultura e cidadania (Paulo e Fábio).
Os alunos parecem pouquíssimo mobilizados. Em várias buscas pelo tema, encontrei poucas menções, a maioria relativa a contas de professores (e alguns funcionários). Poucos alunos manifestaram-se a respeito das eleições. Veremos mais adiante e mais perto do pleito.
Por conta disso, analisei apenas os grafos/dados dos seguidores das contas. A hipótese era tentar compreender quem era o público que estava “escutando” aquela conta e/ou apoiando e que tipo de indicativo poderia ver nisso.
As cores nos grafos representam os “grupos” de seguidores. Coletei 1,5 graus, ou seja, quem dos seguidores se segue também aparece no grafo. Quanto menos cores, maior o número de interconexões entre os nós; quanto mais cores, menor o número de interconexões. A idéia é mostrar (parcialmente) quantos “grupos” diferentes a conta tem entre os seguidores. A hipótese é que quanto mais diferentes os grupos de seguidores, maior a heterogeneidade/heterofilia da rede e maior a diferenciação na audiência, o que supostamente poderia ser bom para o candidato, uma vez que está atingindo não apenas um único grupo. Ah, os grupos aparecem divididos por Coeficiente de Clusterização. Usei o Clausett-Newman-Moore.
Todas as chapas não usam o Twitter de forma conversacional. Coletando os dados das conversações, obtive pouquíssimas conversações com a rede em todos os casos. As contas, portanto, estão mais preocupadas em informar.
Os nós maiores representam a conta coletada.
Para ver a imagem em tamanho maior, clique no grafo.

Chapa 1 – Manoel e Márcia (A UFPel que você quer). Conta: @manoelemarcia. Seguidores: 148

Essa foi a chapa que parece abarcar, entre os seguidores, o maior número de grupos. Embora várias das contas pareçam inativas (com poucos tweets/nenhum tweet), tem um grande número de seguidores com também um grande número de seguidores, o que tecnicamente amplifica a audiência.

manoelmarciacurvadogrupos.png

Chapa 2 – Odir e Alexandre (Juntos pela UFPel). Conta: @juntospelaufpel. Seguidores: 53

A conta dessa chapa concentra dois grandes grupos de seguidores: Aquelas da Computação/Informática/Tecnologia (azul claro) e aquelas da ESEF (Escola de Educação Física)(azul escuro), que são as áreas dos candidatos. É um grupo bastante fechado de pessoas, entretanto, bastante ativo.

odirseguidorescurvo.png

Chapa 3 – Luciane e Margarida (Universidade Viva). Conta: @vivaufpel. Seguidores: 76

O grafo dessa chapa é bem semelhante ao da anterior. Há concentração de grupos de seguidores, notadamente entre Enfermagem (verde) e Meteorologia (azul). Suponho também que sejam as sedes dos candidatos. Também aparecem grupos fechados no grafo, entretanto, com mais grupos que a chapa anterior.

vivaufpelseguidorescurva.png

Chapa 4 – Mauro e Carlos Rogério (Reconstrução).(Essa contra agora mudou de nome p/ @MovReconstrução. Qdo coletei os dados, entretanto, o nome era @reconstruir_) Seguidores: 80

Essa é a conta mais clusterizada de todas. Interessantemente, apesar do destaque de dois grandes grupos que eu não consegui divisar direito porque há muita conta interna da UFPel, além de um grande número de contas vinculadas a veículos/blogs e pessoas da mídia. Basicamente, os grupos aqui seriam “UFPel”(contas vinculadas a cursos, docentes, setores e etc.) e “não-UFPel”(contas externas).

reconstruirgruposcurvo.png

Chapa 6 – UFPel plural e participativa (Eliana e Miguel). Conta: @plural_ufpel

chapa6.png

Essa foi a chapa com o menor número de seguidores (só 23) e por isso o grafo também ficou pequeno e pouco produtivo em termos de números. Entretanto, também temos dois grupos claros (interno e externo à UFPel, como na chapa anterior).

Outros Dados:

redesreitoriaufpel.jpg

A tabela acima faz um resumo dos dados coletados. Temos o número da chapa em cima, o número de seguidores, o que eu chamei de “reach” que é o número total de nós da rede (1,5 grau de separação, ou seja, o número de nós que apareceu na coleta de dados e que de alguma forma está conectado à conta em questão), o grau de clusterização (quanto mais conectados estão os nós uns aos outros na rede, maior o grau).

O que esses elementos parecem dizer na minha interpretação: Número de seguidores é a possível audiência real que o nó tem, obviamente, quanto maior melhor seria (ressalvas que nem sempre número=efetiva atenção e podem aparecer contas inativas/spam); Reach é outra medida possível de audiência em termos de rede, uma vez que indica quantos nós estão efetivamente conectados à conta em 1,5 graus (também parece ser da ordem do quanto maior, melhor, mas com a mesma ressalva anterior), creio que poderíamos chamar de audiência potencial; e o grau de clusterização pode indicar o quao homogênea é a rede em questão. Neste caso, um número mais alto pode ser ruim (menos audiência diferenciada) e bom (maior engajamento dos pares na campanha).

Todas as contas usam pouco o Twitter para construir relacionamento com os seguidores. Há vários nós comuns a todas as contas (suponho que pessoas indecisas, setores interessados em acompanhar o debate e etc.). Entretanto, a conta que mais tem seguidores internos à UFPel é a @reconstruir_. A conta que tem maior número de seguidores e que parece ter maior audiência é a @manoelemarcia e a que mais reverbera (mais RTs e mais participação) parece ser a do @juntospelaUFPel. Importante salientar que esses dados foram coletados durante estas últimas duas semanas e que, portanto, podem não refletir mais a campanha na sua integralidade.

Pretendo fazer mais algumas coletas em momentos mais próximos ao final da campanha e às eleições. Vamos ver o que aparece e como os dados posteriores podem ser comparados a estes. Ah sim, se alguém souber as contas do Twitter das demais chapas, pode me enviar um email (ali em cima, embaixo da foto). Os comentários não estão funcionando. :-(

Google+ e Reader: Eu não gostei

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Desde ontem, eu sou mais uma das centenas (talvez milhares) de amantes do GReader que estão de luto pelo fim do sistema de feeds do Google. O GReader agora foi incorporado, forçadamente, ao Google Plus. A estratégia do Google é forçar a base de usuários do Reader, que acredito seja bem engajada, a alimentar o G+. O que não é necessariamente uma coisa boa. E que, eu, pelo menos, não curti. :P

Misturando Redes Sociais

Há muitos posts atrás, quando falei do Buzz eu já tinha dito isso. Misturar apropriações diferentes de redes sociais diferentes pode ser um grande tiro no pé. Explico: as pessoas apropriam os diferentes sites de rede social com propósitos diferentes. E isso gera valorações diferentes para cada uma dessas ferramentas. Assim, por exemplo, o que você faz no Orkut não é o mesmo Linkedin, do mesmo modo que o que você faz no Facebook nem sempre é o mesmo que você faz no Twitter. E o que acontece é que, muitas vezes, as pessoas também têm redes sociais diferentes usando essas ferramentas (por exemplo, rede do pessoal do trabalho, rede da família, rede dos amigos e etc.). E isso é absolutamente natural. Suas redes sociais offline também não são todas iguais e não compartilham dos mesmos espaços sociais. (Por exemplo, você não leva seus pais pra balada.) As apropriações dos espaços online, assim, seguem uma lógica parecida. O que não quer dizer que alguns elementos (nós da rede) não participem de vários espaços. O caso é que nem todo mundo está em todos os espaços das redes de seus amigos.

O Google, entretanto, tem sistematicamente “furar” essa apropriação forçando a adoção de ferramentas. O Buzz e o Wave foram exemplos. A proposa do Google é sempre a mesma: criar um gigantesco espaço social onde todos compartilham tudo com todos. Só que as ferramentas Google têm apropriações diferentes. Isso significa que as ferramentas têm valores diferentes. E como o Reader é usado? Primeiro, com uma rede social mais selecionada e muito mais focada. Segundo, como espaço para “guardar” textos interessantes. Terceiro, como “jornal diário”. Por exemplo, o Reader pra mim é (era) uma fonte de informações. Assino (ava) ali os feeds das coisas que me interessavam, a partir de uma rede social pequena de alimentadores, quase como um jornal diário. Bem diferente do Twitter, que pra mim é filtro social. Ali me interessa saber o que minha rede social está falando, quais tópicos estão mais relevantes no momento. Tem coisas no Reader que eu dividia com a minha pequena rede e coisas que eu guardava só pra mim. De todas essas coisas, só um pequeno percentual era divulgado para rede do Twitter, por exemplo, só coisas que realmente me pareciam interessantes.

Já o Google+ ainda não pegou direito. Tem algumas apropriações acontecendo, no caso da minha rede, principalmente para divulgação de informações, mas também tem um foco social mais parecido com o Facebook. As pessoas ainda não sabem ainda pra que o G+ “serve”. E um dos culpados disso é misturança do Twitter (a idéia de que as pessoas podem te “seguir” sem que vc autorize) junto com uma proposta muito mais social (os círculos). E essa falta de foco gerou uma série de questões ainda não resolvidas. (Por exemplo: Spam social.)

A Face nos Sites de Rede Social

Ferramentas sociais e informacionais não necessariamente se dão bem juntas. O Goffman tem um conceito fantástico que nos ajuda a entender isso: a idéia de “face”. A face é um conjunto de impressões construídas de forma a dar uma linearidade para as nossas atuações no dia a dia (grosso modo). O que isso significa? Que dependendo do contexto interacional (ou do espaço social e do grupo ali presente) procuramos manter uma face, que é uma linha de interação que buscamos que seja legitimada pelos demais atores e que eles nos reconheçam por essas características. Só que é por isso que mantemos redes sociais diferentes: nem sempre desejamos manter a mesma face. Como você age num ambiente informal com seus amigos (face 1) não é igual ao modo como você age em um ambiente formal, numa reunião de trabalho (face 2). E é esse o meu ponto: O que você faz no GReader não necessariamente você quer fazer no G+. As coisas que você lê e quer dividir com alguns amigos não necessariamente você quer publicar no G+ e mais: você nem sempre quer que os comentários colocados numa coisa que você publicou por um círculo chegue a outro círculo de amigos. (O que, aliás, é outra coisa interessante que eu tenho observado nas conversações: mesmo que vc não participe, a rede social atribui uma certa dose de responsabilidade pelos comentários a quem originalmente publicou um texto.)

E dai?

Meu ponto é: você não pode obrigar as pessoas a agir do modo X ou Y num ambiente social. Esses modos de agir são construídos socialmente e sempre superam e alargam as limitações técnicas. “Empurrar” os usuários de uma ferramenta para outra criando modos de compartilhamento relevantes pode mudar uma apropriação. Retirar modos de compartilhamento que já foram apropriados e limitar as opções não necessariamente resultam num uso da ferramenta que vc quer. Além disso, tentar criar ferramentas únicas que gerenciem todas as redes sociais não parece ser a solução. Você não necessariamente quer que todo mundo saiba seu email ou que as pessoas que estão na sua lista de emails tenham acesso imediato a seu Reader ou a seu G+ ou que seus grupos diferentes passem a ter acesso às mesmas informações.

Misturar redes e obrigar todos a usar uma mesma ferramenta pode ter resultados mais desastrosos que o esperado.E, finalmente, limitações e focos exagerados podem fazer uma ferramenta perder o valor e, com isso, suas populações tendem a migrar para novas apropriações. Vai ser esse o caso do Reader? Não sei. Tenho a impressão de que a ferramenta perdeu com a mudança. E o G+? Vai ganhar? Não sei tb. Não acho que vá ser o Twitter. O mais provável é que o G+ vai sofra uma inundação de informações (úteis e inúteis), aumente a quantidade de spam e que os usuários sejam obrigados a filtrar mais os círculos para poder filtrar também a informação recebida e emitida. Veremos. De qualquer modo, entender a apropriação é a idéia chave para criar ferramentas úteis e integrá-las de forma natural. Idéia que a maioria das companhias não parece dividir comigo. :P

Sites de Rede Social na Educação (parte II)

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social-platform.pngFaz alguns dias que comecei o texto, mas não consegui terminá-lo até hoje. Hoje consegui dar uma finalizada. :) Desculpem a demora. (E acho q acabou um texto mais evangelizador do que eu previa, mas vale o debate.)

Um dos desafios com os quais frequentemente me deparo em conferências e debates acadêmicos no Brasil com relação ao uso dos sites de rede social na educação é a dificuldade no acesso. Muitos argumentam que nem todo mundo tem acesso, que jovens e adolescentes de classes mais baixas não têm Internet e, finalmente, que as escolas não têm acesso. Os argumentos são válidos, mas gostaria de salientar alguns pontos.

A inclusão digital

No Brasil, um dos grandes responsáveis pela inclusão digital foi o Orkut. E não sou eu quem diz isso apenas. Há um trabalho do Jeremiah Spence (2007) a respeito do Orkut no Brasil também trouxe dados parecidos. O Orkut foi uma ferramenta importante na história da Internet no Brasil porque motivou pessoas que não tinham acesso a procurar acesso, justamente, para utilizá-lo. Os sites de rede social, portanto, foram uma das portas de entrada da Internet no Brasil para muitos usuários, de idades e classes sociais diferentes. Isso significa que parte da experiência de uso da Internet para muitos de nós foi, exatamente, a experiência social. Esse acesso, que não se conseguia em localidades públicas, porque o Orkut era proibido, cresceu rapidamente em cibercafés e lan houses (o que também impactou no crescimento desses locais, especialmente dentro de comunidades mais pobres). Apenas para que se tenha uma idéia, numa rápida consulta aosindicadores do CGI, temos que entre 2005 e 2007 (anos da explosão do Orkut no Brasil), o uso da Internet cresceu cerca de 10% na população que nunca tinha acessado, e a grande atividade que concentrava o uso, o e-mail (70% em 2005) foi substituído pelo acesso aos sites de rede social (69% em 2008). Embora não seja possível apontar uma relação direta, outras pesquisas têm demonstrado que o Orkut atuou como grande motivador para essa busca pelo acesso, mesmo sem as condições físicas, nessa mesma época. O impacto do Orkut na sociedade brasileira foi tão grande que sua citação em programas de TV e notícias tornou-se tão lugar comum que nem necessidade de explicá-lo se via mais na mídia.

Em 2010, segundo os mesmos indicadores, a penetração do uso da Internet aumentou: Chegou a 80% entre os brasileiros de 10 a 24 anos, entre 79 e 83% dos mesmos usando sites de rede social. O que isso nos mostra? Que os jovens estão sim, utilizando essas ferramentas. Que para uma grande maioria deles, essas ferramentas estão inseridas no cotidiano, como parte de suas atividades.

É isso que eu quero apontar quando digo que as redes já estão na sociedade e que as escolas precisam também inserir-se nelas. Embora muitas vezes as escolas não tenham equipamentos e os professores não tenham como utilizar essas ferramentas em aula, os alunos continuam utilizando-as. E há muito que precisa ser discutido e debatido a respeito delas também no ambiente escolar. É preciso trazer as redes para as escolas.

Como trazer as redes para as escolas?

Sabemos que existem problemas de todos os tipos, principalmente falta de equipamento e acesso e também a questão do preconceito. Mesmo com esses problemas, acho que há iniciativas que podem ser levadas adiante.

Minha primeira sugestão é um trabalho de conscientização e crítica das potencialidades e dos problemas . Fazer palestras, discutir, trazer pais, alunos e funcionários para o debate. É preciso superar o preconceito, que muitas vezes impera, que essas ferramentas não são necessárias e não importam. Assuntos como fronteiras entre o público e o privado, impactos dos rastros deixados nessas mídias no futuro, uso dessas ferramentas podem ser abordados através de palestras e cursos, além de rudimentos da pesquisa e discussão da veracidade do que se encontra online.

Minha segunda sugestão é que a escola entre na rede. É preciso estar nessas ferramentas, construir uma presença institucional, representar a escola, proporcionar meios de contato e mesmo, meios de informação. Mesmo sem laboratórios e equipamentos, um pouco de presença se pode atingir e um mínimo de informações para a comunidade a respeito do que está sendo desenvolvido nas escolas.

Apenas essas duas estratégias já ajudam muito. Primeiro porque marcam uma consciência da Escola para com o cotidiano dos alunos e da comunidade. E em nenhuma delas é preciso que todos tenham laboratórios, mas é preciso que se aborde a questão. Segundo, porque aumentam também a consciência de uso para essas ferramentas, tanto em termos de sala de aula, quanto de trabalhos escolares. Quanto mais pessoas estiverem conscientes da importância dessas práticas nesses sites, mais facilmente se conseguirá apoio para outras iniciativas. Para aquelas escolas que já dispõem de laboratórios e ferramentas, muito mais pode ser feito. Oficias com os alunos, de modo a mostrar o que pode ser feito na rede em termos de criatividade, discussões a respeito da privacidade e dos riscos da exposição e, sobretudo, criar um canal permanente de informações com a comunidade são o mínimo.

Citação: Jeremiah Spence, “Orkut: catalysis for the Brazilian Internaut”